quarta-feira, 5 de julho de 2023

O compositor norte-americano do séc. XIX que fez uma variação do Hino Nacional Brasileiro

 Qualquer cidadão deste país que já estudou em escola pública, foi a um desfile de 7 de setembro ou até mesmo simplesmente assistiu a algum jogo da Seleção Brasileira de Futebol conhece de cor a melodia do Hino Nacional Brasileiro, composição de Francisco Manuel da Silva. A letra, escrita por Joaquim Osório Duque-Estrada, já não está tão decorada assim por todos, embora fosse anualmente a contracapa de nossos livros didáticos.

Muitos, porém, desconhecem a “Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro”, uma série de variações em piano da música original, composta pelo pianista norte-americano Louis Moreau Gottschalk. A obra foi dedicada à Isabel, Princesa Imperial do Brasil, e teve sua estreia em um concerto de 1869, executada por 650 músicos.

Suas interpretações ficaram muito conhecidas pelas mãos das pianistas Guiomar Novaes e Eudóxia de Barros. Na década de 1980, ganhou atenção novamente ao ser tocada na cobertura da Rede Globo do funeral do presidente eleito, porém não empossado, em 1985, Tancredo Neves. Sua parte inicial também era o tema de abertura das propagandas eleitorais do PDT durante a campanha presidencial de Leonel Brizola, em 1989.

Alguns anos antes, uma polêmica girou em torno da obra, quando a Comissão Nacional de Moral e Civismo abriu um processo, na primeira metade da década de 1970, por considerar que a música era um arranjo do Hino Nacional, o que é proibido pela Lei 5700, de 1971, cujo capítulo V, artigo 34, diz que “é vedada a execução de quaisquer arranjos vocais do Hino Nacional, a não ser o de Alberto Nepomuceno; igualmente não será permitida a execução de arranjos artísticos instrumentais do Hino Nacional que não sejam autorizados pelo Presidente da República, ouvido o Ministério da Educação e Cultura”. O processo, por fim, foi encerrado após a consideração de que existe uma diferença entre arranjo e variação.

O compositor da variação foi recentemente tema do excelente documentário “Louis Moreau Gottschalk, popstar no séc. XIX ou somente um pianista?”. Dirigido por Rubens Crispim e Heloisa Faria, o filme mostra por meio de entrevistas e pesquisas, com colaboração da artista Luiza Gottschalk, descendente do pianista, toda sua trajetória que terminou no Brasil e como ele foi um rockstar antes da mídia.


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