"O punk não morreu", é o que a banda Lixomania cantava em seu disco de estreia, em 1982. Passaram-se mais de 40 anos e, pasmem, ele ainda respira. O punk não apenas está vivo, como também é vigoroso. Toda essa vitalidade jovial, apesar da idade avançada, é retratada no documentário ‘Êra Punk’, dirigido por Flávio Galvão. O filme é o terceiro episódio da série "Crônicas Urbanas", do coletivo Linha de Ação.
Ambientado no contexto atual do Brasil, o documentário mostra que o gênero mais rebelde do rock ainda possui uma função não apenas musical, mas também de resistência política. O filme se passa durante a pandemia de Covid-19 e várias imagens ilustram os confrontos em manifestações, sejam elas de esquerda ou não. São exibidas filmagens de uma motociata pró-governo, como foi bastante comum entre 2021 e 2022, onde é possível ver que os punks continuam exercendo seu papel de oposição.
Um dos momentos impactantes do filme é a forma que se usa para retratar a magnitude trágica da pandemia no Brasil. Para isso, foram feitas imagens no cemitério da Vila Formosa, durante o período em que a tragédia ceifou milhares de vidas e os enterros passaram a ser realizados ininterruptamente, 24 horas por dia, para dar conta da demanda.
Um dos personagens centrais do documentário é Ariel, uma figura carismática e bastante conhecida no cenário punk rock brasileiro por sua participação na banda Restos de Nada, além de outros trabalhos com o Invasores de Cérebro e Os Insociáveis. Ariel já foi tema de um documentário anterior e é um dos entrevistados do clássico "Botinada", de Gastão Moreira.
Gravações de shows e ensaios de bandas como Juventude Maldita e Os Insociáveis, cujos membros são alguns dos entrevistados, ajudam a contextualizar a parte musical do punk rock, que, obviamente, além de ser um movimento contracultural, é também uma forma de expressão artística representada pela música agressiva. A trilha sonora conta ainda com as bandas Sociopatas e a lendária Ulster.
"Êra Punk" chega como uma boa notícia para os fãs do gênero, que, mesmo diante de tanta oposição e da exaustiva luta que já dura mais de quatro décadas, podem ter a certeza de que ainda há fôlego para entoar o hino de 1982: "Muita gente comentando, muitos hippies comemorando, que o punk tinha morrido, mas o punk não morreu. O punk não morreu." Ainda bem!

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